Neste artigo você vai ver:
- O El Niño 2026/27: por que os números preocupam os meteorologistas
- Brasil: a safra recorde que já passou e o risco que está sendo plantado agora
- Europa: quando o calor faz a colheita chegar cedo demais
- Índia: a monção mais fraca em 11 anos ameaça uma economia de US$ 4 trilhões
- O preço global de alimentos já responde — antes mesmo da colheita terminar
- Seguro rural: menos proteção justamente no ano em que ela mais importa
- O que isso significa para o consumidor brasileiro
- O risco chegou à mesa antes de chegar à lavoura
Quando o clima vira preço
A NOAA estima em 75% a probabilidade de o El Niño 2026/27 atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro. Isso não é uma nota de rodapé meteorológica — é parte do motivo pelo qual a FAO já registra o maior índice de preços de alimentos desde 2022, e pelo qual o Brasil entra nessa temporada com uma das menores coberturas de seguro rural das últimas duas décadas. Terceiro artigo da série sobre risco geológico e climático: depois dos terremotos e dos vulcões, a vez é da safra.
Um terremoto acontece em segundos. Um vulcão pode ficar ativo por anos. O El Niño trabalha numa terceira escala de tempo: meses de antecedência entre o sinal no meio do oceano Pacífico e o efeito na sua conta de supermercado — tempo suficiente para o mercado inteiro já começar a precificar um risco que ainda nem se confirmou por completo. Isso é exatamente o que está acontecendo agora, em setembro de 2026, com um episódio de El Niño que a NOAA considera ter 75% de chance de atingir intensidade histórica.
Este texto não é sobre uma safra que já quebrou — é sobre um risco que está sendo montado, camada por camada, entre o Pacífico Central e o carrinho de supermercado. Vamos por partes: o fenômeno climático, quatro regiões do planeta reagindo a ele de formas diferentes, o que isso já fez com o preço global de commodities, por que o Brasil entra nessa temporada com menos proteção de seguro do que em qualquer momento nos últimos vinte anos, e o que tudo isso significa, concretamente, para a inflação de alimentos no país.
O El Niño 2026/27: por que os números preocupam os meteorologistas
O El Niño — fase quente do fenômeno ENSO, causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical — já está presente e em fortalecimento: a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou oficialmente sua ocorrência em 11 de junho de 2026, encerrando o status de monitoramento e elevando a classificação para El Niño em curso. Isso não significa, porém, que os impactos agrícolas já estejam determinados: eles seguem sendo probabilísticos e variam por região. A atualização do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA) de 10 de setembro estima em 75% a probabilidade de que o episódio atinja, entre outubro e dezembro de 2026, intensidade histórica — ou seja, capaz de superar os episódios anteriores desde 1950, segundo o critério estatístico específico adotado pelo órgão: um RONI (índice relativo) trimestral de pelo menos +2,5°C —, com anomalias de temperatura superiores a 3°C já registradas no Pacífico equatorial leste.
Para efeito de comparação, os El Niños mais fortes documentados até agora foram os de 1982-83, 1997-98 e 2015-16 — todos associados a quebras de safra significativas em múltiplos continentes simultaneamente. Se a trajetória atual se confirmar, o episódio de 2026/27 poderia entrar para esse grupo restrito — mas trata-se de uma probabilidade elevada, não de um resultado já consumado. A confiança na permanência do fenômeno é alta: segundo o CPC/NOAA, a probabilidade de persistência fica entre 97% e 99% em todos os trimestres entre junho de 2026 e o verão de 2027. A magnitude final e a distribuição regional exata dos impactos, porém, ainda podem mudar.
O El Niño não afeta o planeta de forma uniforme — é uma redistribuição de chuva e calor, não uma seca global. Regiões como o Sul do Brasil tendem a receber chuva acima da média (com risco de enchentes), enquanto o Norte e Nordeste do país, partes da Ásia e a Austrália tendem à seca. Um padrão semelhante — uma região em colapso hídrico e outra lidando com excesso de água ao mesmo tempo, dentro do mesmo país e da mesma safra — já foi observado durante a safra 2025/26, antes mesmo do pico do fenômeno atual.
Brasil: a safra recorde que já passou e o risco que está sendo plantado agora
Aqui está a distinção mais importante de todo este artigo, e vale repetir com todas as letras: a safra brasileira de grãos 2025/26 foi recorde — 180,5 milhões de toneladas de soja, segundo o 11º Levantamento da Conab (divulgado em 13 de agosto), a maior da série histórica, dentro de uma produção total de grãos que também bateu recorde, em 360,8 milhões de toneladas. Isso já foi colhido. Não está em risco. O que está em risco é a safra seguinte — a 2026/27 —, que está sendo plantada exatamente agora, em setembro de 2026, sob a sombra do El Niño que acabamos de descrever.
As projeções regionais já divergem de forma característica do fenômeno: Centro-Oeste com alta probabilidade de seca prolongada e ondas de calor, que tendem a prejudicar o enchimento dos grãos e a produtividade da soja; a região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) sob maior instabilidade hídrica; e o Sul com risco de chuvas excessivas, dificultando a colheita e elevando o custo de secagem de grãos. O padrão projetado tem sido comparado, em análises setoriais do agronegócio, ao El Niño de 2015/16 — que causou quebras expressivas no Matopiba — mais do que ao padrão mais brando da temporada 2022/23.
O setor cafeeiro brasileiro já está em modo de atenção redobrada para a safra 2026/27, depois que chuvas prejudicaram a colheita, a secagem e a qualidade dos grãos na temporada anterior — a possibilidade de um El Niño forte eleva o risco de irregularidade hídrica e temperaturas elevadas, especialmente em áreas de sequeiro (sem irrigação).
Europa: quando o calor faz a colheita chegar cedo demais
Do outro lado do Atlântico, o mecanismo é diferente do dos outros casos deste artigo — vale marcar isso com clareza para não gerar confusão: na Europa, o problema não é o El Niño diretamente, e sim o aquecimento climático de fundo somado a extremos locais de 2026. O El Niño entra aqui apenas como parte do pano de fundo climático global mais amplo, não como causa direta da safra francesa. Dados da Comissão Europeia mostram que o trigo de inverno atingiu maturação em partes da União Europeia 20 dias antes do que em 2000, com intervalos parecidos para colza e milho. “Há mais de 20 anos, estávamos sempre totalmente ocupados com a colheita do milho por volta dos dias 14, 15 ou 16 de setembro. Hoje, praticamente passamos para o início de setembro”, relatou à Reuters Hermann Greif, presidente distrital do sindicato de agricultores da Alta Francônia, na Baviera.
O resultado prático na safra de milho francesa: apenas 27% da produção em condições boas ou excelentes em 31 de agosto de 2026, segundo a FranceAgriMer — o menor índice desde 2011.
O caso simbólico mais forte é o de Champagne, na própria França: segundo reportagem sobre ondas de calor no Brasil que citou dados da entidade do setor, a safra de 2026 combinou geadas primaveris de intensidade histórica, floração excepcionalmente precoce e cinco ondas de calor ao longo do verão — tudo no mesmo ciclo produtivo. “O clima mediterrâneo está se deslocando para o norte. Este é o primeiro ano de um novo ciclo. É improvável que se repita todos os anos, mas certamente acontecerá novamente”, avaliou Stéphane Vignon, produtor em Verzenay, uma das vilas tradicionais da região.
Índia: a monção mais fraca em 11 anos ameaça uma economia de US$ 4 trilhões
Se há um caso que resume por que El Niño é, antes de tudo, uma variável econômica, é o indiano. As monções são a força vital de uma economia de quase US$ 4 trilhões — cerca de dois terços dos 1,4 bilhão de habitantes do país dependem de renda rural. O governo indiano já havia previsto, em abril, chuvas abaixo da média pela primeira vez em três anos; os dados reais confirmaram o pessimismo: a precipitação acumulada da monção ficou 16% abaixo do normal até 27 de julho de 2026, segundo o Departamento Meteorológico da Índia.
O padrão é irregular de um jeito particularmente difícil de gerenciar: partes do país enfrentaram inundações fortes enquanto a média nacional seguia abaixo do normal — ou seja, é possível ter excesso de chuva numa cidade e escassez trinta quilômetros adiante, ambos contribuindo para o mesmo déficit agregado. Analistas da Phillip Capital India alertaram que chuvas abaixo do normal podem afetar o plantio de leguminosas, algodão, sementes oleaginosas comestíveis e arroz em áreas não irrigadas do norte e noroeste do país — a Índia está, segundo a Reuters, entre os maiores exportadores mundiais de arroz e cebolas, além de ser o maior importador mundial de óleos comestíveis.
Estados Unidos: o cinturão de milho em “clima de instabilidade”, não de crise
Vale um parágrafo de contexto sobre os Estados Unidos, ainda que o cenário lá seja mais ambíguo: o Corn Belt viveu, ao longo de 2026, uma sucessão de contrastes regionais — calor e seca severos em áreas ocidentais durante a polinização, seguidos por chuvas de alívio em agosto que estabilizaram parte da lavoura de milho e soja. O trigo de inverno — cultura diferente, com ciclo e calendário próprios — apresentou condições mais fracas em diversos boletins da USDA ao longo do ano, com a proporção classificada como “pobre a muito pobre” variando conforme a semana e a região. O quadro geral é de instabilidade administrável, não de colapso — mas os agricultores americanos reduziram a área plantada de milho em relação a 2025 por causa do custo elevado dos insumos, deixando menos margem para absorver qualquer novo revés climático.
Analistas ouvidos pela Reuters fazem um ponto importante: o sistema alimentar global está mais resiliente a este “super” El Niño do que a eventos de intensidade parecida no passado. Estoques de grãos quase recordes, variedades de sementes tolerantes à seca e ao calor, melhores previsões meteorológicas, agricultura de precisão e a ascensão de exportadores como Brasil e Rússia tornaram o abastecimento mundial menos frágil do que era nas décadas de 1980 e 1990. “Mesmo em condições de seca, uma melhor gestão da irrigação e os avanços na ciência agrícola significam que ainda podemos produzir safras comercializáveis”, resumiu Andrew Whitelaw, analista do setor. Isso não elimina o risco — apenas muda sua magnitude esperada.
O preço global de alimentos já responde — antes mesmo da colheita terminar
Este é o ponto onde a economia se antecipa à agronomia. Segundo o Índice de Preços de Alimentos da FAO — que acompanha uma cesta de commodities agrícolas comercializadas internacionalmente —, os preços mundiais dos alimentos subiram em agosto de 2026 para 133,3 pontos, ante 130,8 em julho: o maior valor desde novembro de 2022, embora ainda cerca de 17% abaixo do pico histórico de março de 2022, no início da guerra na Ucrânia.
Os números por categoria mostram exatamente onde a pressão está concentrada: o índice de cereais subiu 2,2% no mês, para o maior nível desde maio de 2024; os óleos vegetais avançaram 0,6%, no maior patamar desde junho de 2022; e o índice do açúcar disparou 11,9% só em agosto, pressionado pela menor produção do Centro-Sul do Brasil somada a preocupações climáticas na Europa e na Ásia. “O aumento dos preços globais dos alimentos em agosto é um alerta de que o prêmio de risco está retornando aos mercados de alimentos: choques climáticos, tensões geopolíticas e interrupções na logística comercial estão convergindo para restringir as expectativas de oferta”, afirmou Máximo Torero, economista-chefe da FAO.
Vale uma ressalva de honestidade estatística: nem toda essa alta é atribuível ao El Niño isoladamente — a guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito entre Irã e Israel também pressionaram fretes, combustíveis e fertilizantes ao longo de 2026. O El Niño entra como um fator que se soma a esses outros choques, não como causa isolada.
“Estamos falando de uma tempestade perfeita para a inflação de alimentos. São vários choques.”
Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, à Folha de S.Paulo
Seguro rural: menos proteção justamente no ano em que ela mais importa
Se os artigos anteriores desta série ensinaram algo, é que “quem paga a conta” costuma ser a pergunta mais reveladora. No caso da safra brasileira 2026/27, a resposta está ficando mais clara — e mais desconfortável — a cada mês.
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que ajuda produtores a pagar parte do custo da apólice, tinha R$ 1,017 bilhão previstos na Lei Orçamentária Anual de 2026. Ao longo do ano, o governo federal bloqueou R$ 461,7 milhões e cancelou mais R$ 81,9 milhões — parte de um contingenciamento fiscal mais amplo no orçamento do Ministério da Agricultura —, deixando um saldo estimado de apenas R$ 473,8 milhões disponíveis: menos da metade do previsto, e menos até do que os R$ 581 milhões aplicados em 2025. O programa ainda carrega R$ 141 milhões em subvenções de 2025 que nem chegaram a ser pagos às seguradoras. (Os mesmos valores foram reportados por CNN Brasil, SindsegSP, a especializada CQCS, a Agência da Frente Parlamentar da Agropecuária e a Fenacor; como parte dessas publicações pode remeter à mesma origem orçamentária, o ideal é conferir também os atos oficiais de bloqueio e cancelamento do PSR antes de qualquer decisão baseada nesses números.)
O resultado projetado: a área coberta por seguro subsidiado deve cair para cerca de 2,7% a 2,8% da área de lavouras elegíveis ao seguro rural no país (2,7 milhões de hectares) — ante já baixos 3,4% em 2025, e a menor cobertura desde o início da série comparável, segundo levantamento da SindsegSP. As estimativas do setor indicam que a cobertura poderia alcançar 5,7 milhões de hectares caso a dotação orçamentária original fosse integralmente executada — ainda uma fração pequena do total, mas mais que o dobro do que será efetivamente coberto; o resultado final depende também de fatores como preço das apólices, culturas seguradas e adesão dos produtores, não apenas do volume de orçamento disponível.
- Segundo a CNN Brasil, o corte concentra 45,7% de todo o contingenciamento do orçamento do Ministério da Agricultura em 2026.
- A importância segurada projetada para o ano é de apenas R$ 14,8 bilhões, segundo o Observatório de Seguro Rural.
- Fabio Damasceno, diretor de Seguro Rural da Mapfre, associa a queda na contratação também aos juros altos e ao endividamento elevado dos produtores — o seguro compete por orçamento com o próprio financiamento da lavoura.
O deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, resumiu o problema estrutural por trás do episódio: “a consequência direta é a manutenção de parcela majoritária da produção agropecuária brasileira sem cobertura securitária, ampliando a exposição dos produtores, das instituições financeiras e da própria política agrícola aos efeitos de eventos climáticos adversos”. Em outras palavras: menos seguro não significa menos risco — significa apenas que, se a safra falhar, o prejuízo recai de forma mais direta sobre o produtor, o banco credor e, no limite, sobre o preço que chega à prateleira.
O que isso significa para o consumidor brasileiro
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda elevou, em julho, sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,5% para 5,1%, citando explicitamente a possibilidade de um El Niño mais intenso entre os fatores de risco para os preços agrícolas. Em agosto, o Banco Central trabalhava com projeção próxima de 5,1% para o IPCA de 2026 em seu cenário de referência — as duas instituições chegaram a números parecidos, mas em documentos e datas distintos, não como uma revisão conjunta. No setor financeiro, o BTG Pactual revisou sua estimativa de inflação de alimentos de 3,8% (projetada em janeiro) para uma faixa que pode chegar a 7% em 2026 e 5,9% em 2027, com destaque para milho, hortaliças, frutas, leite e trigo como os produtos mais sensíveis. Romão, economista da consultoria 4intelligence, projeta um número ainda mais alto para a alimentação no domicílio: alta de 7,7% até dezembro de 2026 — mais que o dobro da estimativa que a própria consultoria tinha antes da guerra no Oriente Médio.
Um exercício econométrico conduzido pelos economistas Caio Sousa e Fabio Rocha, baseado em dados do Banco Central, estimou a magnitude potencial de um choque associado ao El Niño: entre 1,02 e 3,4 pontos percentuais adicionais à inflação de alimentos, podendo chegar a 6,78 pontos percentuais num cenário extremo comparável ao episódio de 2015-2016. Os próprios autores ressaltam que esse exercício não é uma previsão fechada, mas uma estimativa de magnitude potencial — e que separar o efeito puramente climático de outros choques simultâneos (câmbio, petróleo, fretes) é, por natureza, uma tarefa estatística difícil de fazer com precisão total. (Este resumo vem de reportagem da Exame que cita o estudo; não localizamos o paper original com título, instituição e metodologia completos para conferência direta.)
Em um cenário — não uma previsão central — de El Niño forte, um modelo do Rabobank estima que os preços de alimentos in natura (frutas, legumes e verduras, que têm ciclos de produção curtos e por isso reagem mais rápido a choques climáticos) poderiam subir até 19,9% em 12 meses, embora a própria instituição frise que essa projeção não significa que todos os alimentos terão essa alta uniformemente. Carnes também entram na conta: o ciclo do boi já projeta alta de cerca de 8%, independentemente do clima, o que se soma ao efeito agrícola do El Niño sobre a ração animal.
Reunindo as três camadas deste artigo: uma safra 2026/27 sob risco real (seção II), um mercado global de commodities que já respondeu antes da colheita terminar (seção V), e uma rede de proteção — o seguro rural — mais fina do que em qualquer momento das últimas duas décadas (seção VI). O consumidor brasileiro está, efetivamente, exposto às três pontas dessa cadeia ao mesmo tempo: como comprador de alimentos mais caros, como contribuinte por meio da subvenção pública ao seguro rural (hoje reduzida), e como cidadão de um país cuja moeda e política monetária reagem à inflação que esse mesmo fenômeno ajuda a produzir.
O risco chegou à mesa antes de chegar à lavoura
Terremotos obrigam a perguntar quem paga a reconstrução. Vulcões obrigam a perguntar quem consegue continuar operando ao lado de um risco permanente. O El Niño de 2026/27 obriga a uma terceira pergunta, talvez a mais incômoda das três: quem absorve o custo de um risco que o próprio mercado já está precificando, semanas ou meses antes de a colheita confirmar se ele vai mesmo se materializar?
A resposta, olhando os sete blocos deste artigo, não está distribuída de forma igual. Parte recai sobre o produtor rural, que entra na safra com menos seguro do que em vinte anos. Parte recai sobre o consumidor, no preço do arroz, do café ou do óleo de cozinha. E parte já aparece nos preços internacionais de alimentos, que subiram em agosto sem esperar o resultado final de nenhuma lavoura.
Se o clima está cada vez mais rápido para virar preço, a pergunta que fica é: as redes de proteção — seguro, orçamento público, estoques — estão ficando mais rápidas também, ou estão ficando para trás?
